A origem da vaquejada
Poucos sabem, mas a Vaquejada é um dos únicos esportes genuinamente brasileiros junto
com os mais conhecidos, futebol de areia ou futebol de Praia e Capoeira.
A Vaquejada teve início no Rio Grande do Norte, mas não como uma prática esportiva. Na
época dos coronéis os bois eram soltos na mata e depois de meses os peões (vaqueiros) se
reuniam para juntar novamente o gado. Montados em seus cavalos, vestidos com gibões de
couro eles se embrenhavam na mata em busca dos animais em meio aos espinhos e pontas
de galhos secos, como cada um mostrava suas habilidades e malabarismos surgiu a idéia da
realização das disputas.
A primeira vaquejada aconteceu em Morada Nova no Ceará, mas o Rio Grande do Norte é
apontado como estado que deu o primeiro passo para o esporte como é hoje. Currais Novos é
conhecida como a cidade berço da vaquejada e mantém a tradição até nos dias atuais.
Em 1874 apareceu o primeiro registro sobre a vaquejada. O escritor, José de Alencar,
escreveu sobre a “puxada de rabo de boi” no Ceará, mas não como algo novo o que deixou
claro que a prática já ocorria anteriormente, ficou claro para pesquisadores que muito antes de
1870 já se praticava a vaquejada.
As disputas são entre várias duplas, que montados em seus cavalos perseguem pela pista e
tentam derrubar o boi na faixa apropriada para a queda, com dez metros de largura,
desenhada na areia da pista com cal. Cada vaqueiro tem uma função, um é o batedor de
esteira, o outro é o puxador.
Vaquejada de primeira linha marca a inauguração do Clube do Vaqueiro
em Ceilândia
Como Brasília foi construída por trabalhadores de todas as partes do país, coube à Ceilândia
abrigar a maioria dos nordestinos que vieram trabalhar na construção da capital o que lhe
rendeu o título de maior cidade nordestina fora do nordeste. De acordo com o presidente do
Instituto Orgulho de Ser Nordestino, Afonso Gomes, que é natural do Maranhão os nordestinos
trazem em si as tradições e a cada vez maior prática da vaquejada no Distrito Federal é uma
forma de lembrar-se da sua terra.
Como inauguração da sede Parque Clube do Vaqueiro foram convidados vaqueiros do Distrito
Federal e entorno para participar de uma vaquejada válida pela etapa final do Circuito de
Vaquejada da República no Incra 7 nos dias 6, 7 e 8.
Foi oferecida a premiação R$ 40.000,00 durante os dias de evento e ainda uma moto extra
para o campeão que foi oferecido por um patrocinador da cidade ceilândia. De acordo com a
organização do evento inscreveram-se 184 cavaleiros o, um total de 92 duplas de vaqueiros,
foram quinze vagas e dos duzentos vaqueiros que buscaram a classificação oitenta se
classificaram ficando somente quinze duplas para o dia final. No último dia foi feito um rodízio
de 82 pessoas incluindo crianças, iniciantes e os tratadores que geralmente não correm nas
competições e a esses foi oferecida uma premiação simples de R$ 100.
De acordo com, José Beni Monteiro Oliveira, diretor do Clube do Vaqueiro “o clube do vaqueiro
é um projeto que vem sendo debatido a aproximadamente a uns quatro ou cinco anos e nasce
da existência de um grupo de associados do Ceilândia Esporte Clube de conselheiros que
eram alojados do CEC, mas que não tinham mais aquela paixão pelo futebol, e por serem
nordestinos a esporte que eles mais gostam nesse momento é a vaquejada. Em uma área de
100 mil metros quadrados, em 60 mil metros quadrados funciona o treinamento do CEF e nos
outros 40 mil metros a sede do clube do Vaqueiro” informou o diretor do clube.
Segundo Beni a vaquejada é apenas um dos elementos culturais do nordeste do Brasil além
outros e o Clube do Vaqueiro tem o objetivo de resgatar todo o aspecto cultural relacionado à
vaquejada que já teve um momento bom no Distrito Federal. A tentativa é resgatar e recolocar
o esporte em um padrão aceitável para a comunidade. Beni ainda afirmou que o esporte é
muito bem aceito e com muitos praticantes e o DF em torno de 150 vaqueiros assumidos que
praticam o esporte com regularidade, fora os esporádicos, montadores, aprendizes e o próprio
público que assiste.
O Administrador de Ceilândia, Ari de Almeida, deixou claro que a ajuda do Governo do Distrito
Federal é fundamental para a cidade por ser a maior do DF e possuir o maior número de
nordestinos, é necessária uma maior ação do estado para trazer a cultura para a população “O
estado tem que reconhecer os movimentos organizados, nos estamos aqui na Ceilândia a
maior cidade do Distrito Federal e por ser a maior cidade também tem o maior número de
nordestinos e trazer a vaquejada e a cultura nordestina para dentro da Ceilândia é reconhecer
uma parcela da população que está aqui” concluiu o administrador.
O Deputado federal e presidente do PT-DF, Roberto Policarpo, parabenizou a organização do
evento “Eu quero parabenizar o nosso amigo Beni que se juntou com o Ari que também é um
companheiro que tem nos ajudado bastante, nos reunimos nessa linha do Clube do Vaqueiro e
fazer a construção do circuito de vaquejada em Brasília e na região metropolitana. Mas é
também um compromisso nosso de não apenas fazer a vaquejada em si, mas de ajudar
também na estruturação dos nossos parques”.
Para os competidores dos Vaqueiros do Aras Ana Virgínia que fica em Barreiras no interior da
Bahia e já participaram de vaquejadas no Piauí, Maranhão, Tocantins, Goiás, Bahia e Sergipe
tirando a poeira o evento estava muito bom, a vaquejada estava boa, a boiada boa qualidade e
foi muito demais virem há Brasília. O frio que estava grande incomodou bastante.
O vaqueiro, Wagner Feitosa, da equipe Superfaz de Samambaia colocou o DF entre os
estados que mais desenvolveram a vaquejada em todo o Brasil “Brasília cresceu muito nesses
últimos cinco anos, todos engajados em brincar, patrocinar e investir no esporte. Hoje nos
vemos um parque como o Clube do Vaqueiro com uma grande estrutura que é vista nos
lugares grandes onde se tem vaquejada. A estrutura que tem o Parque do Vaqueiro não deixa
a desejar em nenhum parque do país”.
O vaqueiro Erlan Uales Novaes de Carvalho de Uruaçu Goiás que disse já ter andado em
praticamente em todos os estados da federação correndo vaquejada disse estar satisfeito com
o evento “está sim atendendo as expectativas. Nós estamos vendo isso como um crescimento
do esporte, não só no Distrito Federal, mas em todos os estados”. Para Erlan o Distrito Federal
saiu na frente do estado de Goiás na questão do apoio à vaquejada “falta o incentivo do
governo estadual e federal para que possa crescer mais ao contrário do DF que já tem a sua
oportunidade, as pessoas se dedicam mais, os deputados estão empenhados em desenvolver
o esporte no estado” concluiu o vaqueiro.
Organização e a maioria dos competidores disseram estar muito satisfeitos com o evento, para
Beni o resultado foi extremamente positivo “todos os nossos visitantes ficaram extremamente
satisfeitos, embora ainda esteja muito carente de algumas correções que faremos para o
próximo ano”.
Já o presidente do Instituto Orgulho de ser Nordestino, Afonso Gomes, disse ter admirado os
três dias de evento “vê a vaquejada nesse estilo é difícil, o Beni teve essa maravilhosa ideia, o
balanço que eu tenho é positivo, a vaquejada está dando certo”.
Para o Administrador de Ceilândia Ari de Almeida “O Clube do Vaqueiro veio para ser um dos
maiores clubes do país então não tenho dúvida que depois das obras ele vai estar entre os
melhores, não há duvidas de que o Clube do Vaqueiro está no caminho certo”.
O vice-presidente do Clube do Vaqueiro, Tadeu Monteiro, apontou que a presença de
vaqueiros vindos de estados do nordeste e outros estados demonstrou o sucesso do evento
“muito positivo porque nós temos a presença maciça de vaqueiros de todas as partes do
nordeste e outros estados próximos ao DF como da Bahia, Minas Gerais e de várias cidades
de Goiás. Está sendo um sucesso”.
Para o deputado federal, Roberto Policarpo a ação e a união entre os organizadores foi o
diferencial para o sucesso do evento “estou vendo de perto o sucesso que é o Beni, onde ele
bota a mão funciona e só precisa de ajuda, fica muito mais fácil quando há pessoas com
capacidade de produzir” o deputado ainda informou que existe a necessidade de ser construído
um parque público, mas não deixou de parabenizar o Clube do Vaqueiro.
Sobre o evento o Diretor do Clube do Vaqueiro, José Beni Oliveira Monteiro, afirmou ainda que
o público de vaquejada do DF é 2.500 pessoas na média por dia, pessoas vão com chuva, com
sol, tendo comida ou não tendo com água ou não tendo. Quando se coloca shows artísticos
são atraídas as pessoas que vão somente para o show, pessoas que passam na vaquejada e
só olham, não acompanham e não se relacionam com o esporte, por isso não houve shows
nos três dias de evento.
A organização do evento na pessoa do vice-presidente do Clube do Vaqueiro, Tadeu Monteiro,
informou que o clube está sendo o ponto de convergência de uma discussão para centralizar
um grande evento no próximo ano. Um circuito envolvendo provavelmente nove grandes festas
no DF com a participação dos parlamentares na Câmara Federal e Distrital. O Clube do
Vaqueiro pretende se tornar um importante ponto da vaquejada dentro da capital do país e no
cenário nacional.
Obs: Matéria produzida em outubro de 2013 e publicada na Revista Nova Oportunidade de circulação em Planaltina-DF, Sobradinho-DF, Paranoá-DF, Formosa-GO e Planaltina de Goiás-GO.
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