“Salvar vidas é possível e nós estamos aqui para ajudar”
Fundado em 1999 pelo Apóstolo Arthur presidente nacional do Ministério Leão de
Judá o Centro de Recuperação Leão de Judá que tem sede próxima ao Morro da
Capelinha faz parte de um grupo de 37 comunidades presentes em 12 estados. As
unidades exercem tratamento terapêutico e espiritual para dependentes químicos do
todo país com internação voluntária. Há também o trabalho científico e técnico
realizado por psicólogos, psiquiatras e enfermeiros oferecidos pelo governo. De acordo
com a direção do centro de tratamento são utilizados três pilares durante o
tratamento que são a recuperação, reintegração e a prevenção. A instituição não
aceita qualquer tipo de ajuda financeira de internos ou parentes.
Como funciona?
A sede de Planaltina possui 120 leitos para atender homens de 18 a 65 anos de idade
que permanecem em tratamento durante o período máximo de 9 meses podendo ser
estendido por mais 3 meses. Os pacientes ficam na instituição no máximo por um ano,
após esse período se for da vontade da instituição e dependendo da evolução no
tratamento o mesmo é convidado a fazer parte do corpo voluntário de obreiros e
monitores.
A unidade de Planaltina só atende homens, mulheres são destinadas a uma unidade
feminina localizada no Jardim Ingá que atende em torno 20 mulheres. Existem ainda
outras duas unidades masculinas em Planaltina de Goiás e no Novo Gama.
Segundo o pastor Marcelo Augusto o aproveitamento dos tratamentos é positivo. “De
um total de 10 pessoas que chegam à instituição o aproveitamento é de 4, esses vão
até o final do tratamento. Dessas 4 pessoas que vão até o fim 3 não voltam para as
drogas.” Apontou o Diretor do Centro de Recuperação que está à frente da sede há 3
anos e tem orgulho de ser exemplo de que o trabalho realizado é eficaz. “Sou ex-
dependente químico e estruturei a minha vida aqui nesse lugar.” Disse o pastor que é
formado em Direito e conheceu a instituição em Fortaleza onde teve seu tempo de
residente.
Para o Diretor do Leão de Judá seguramente 90% da criminalidade em Planaltina é
consequência do uso de drogas. Marcelo ainda informou que na instituição existe uma
estrutura de pós-tratamento e prevenção de recaídas. “Não adianta você trabalhar
com o dependente químico somente quando ele chega aqui no Centro de Tratamento,
deve existir o tratamento também do co-depenente, ou seja, a família do paciente.”
Afirmou Marcelo ao dizer que sem o apoio da família a recaída é ainda mais provável.
O apoio do governo
Do total de leitos internação 60 vagas são da Secretaria de Justiça (SEJUS) e outras 30
vagas do Ministério da Justiça (SENAD). “Hoje a ajuda que recebemos do governo é
vital para a permanência do nosso trabalho.” Disse o diretor do Centro de
Recuperação, Marcelo Augusto.
Alguns dos pacientes do Centro de Recuperação Leão de Judá em Planaltina são
atendidos pelo Centro de Atenção Pisco Social Álcool e Drogas (CAPS AD). Os CAPS de
referência do centro de recuperação são os de Sobradinho e Itapoã. Planaltina com
aproximadamente 200 mil habitantes não possui um CAPS sendo que a política o GDF
é um CAPS para cada 70 mil habitantes.
Segundo a Administração de Planaltina a construção de um CAPS AD na cidade não é
um tema na pasta do administrador. “O papel da Administração de Planaltina é
colaborar, solicitar e demandar a necessidade da construção de um CAPS AD na
cidade.” Disse o administrador de Planaltina que ainda informou que a necessidade do
CAPS AD é de conhecimento da Secretaria de Saúde. “Com a construção de uma
Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e uma Clínica da Família o CAPS AD vai
completar esse conjunto garantindo a saúde para a cidade de uma forma geral.”
Afirmou o professor, Nilvan Vasconcelos.
Os personagens
Histórias não faltam entre os pacientes, cada uma mais interessante ou triste que a
outra. Pais, maridos e filhos que perderam tudo, que em tratamento lutam dia após
dia para reconquistar seu espaço na sociedade.
O responsável pelo bom andamento de todas as instalações do Centro de Tratamento
como cozinha, banheiros, academia, alojamento e outros é Ricardo Gomes que
conheceu o projeto em São Paulo e está na instituição há dois anos e oito meses.
“Graças a Deus eu não precisei roubar, mas agora eu to conquistando a confiança da
minha família.” Disse Ricardo que afirmou que o apoio da família e Deus são
fundamentais na recuperação do dependente químico.
Ivan André Melo de 19 anos pai de dois filhos que durante 10 anos foi usuário de
drogas em Planaltina. O primeiro contato de Ivan com as drogas foi por meio da
influencia dos amigos levando-o a cometer até mesmo crimes para saciar a
dependência. Hoje casado Ivan conheceu sua atual esposa ali mesmo no Centro de
Recuperação. “Ela veio fazer uma visita aqui porque trabalhava com reciclagem,
marcamos um encontro lá fora e hoje estamos juntos.” Ivan está em tratamento há 8
meses e para vencer o vício fora da instituição mudou-se para Sobradinho e está
prestes a concluir a estadia no centro de recuperação, mas pretende prolongar o
tratamento até o limite de um ano.
O chefe de cozinha, Lauro Francisco, de 39 anos que é natural da Bahia era morador de
rua começou a usar o crack com 20 anos de idade e está na casa há três meses após
passar por seis casas de internação. “Eu sempre passei pelas casas de internação
somente para engordar um pouco e voltava para a rua. Agora eu to com a decisão de
mudar a minha vida até mesmo por causa da minha idade”. Disse o baiano que ainda
afirmou que a maior perda causada pela droga foi o amor da família.
O Centro de Recuperação Leão de Judá esta à procura de psicólogos
Atualmente o Centro de Recuperação Leão de Judá sede de Planaltina-DF pretende
contratar um psicólogo, mas encontra certa dificuldade. Caso algum profissional se
interessar deve entrar em contato através dos números (61) 4101-3625, (61) 8166-
8534 e o número (61) 8213-0703.
Profissionais que desejarem oferecer algum trabalho voluntário podem também entrar
em contato com a instituição.
A ajuda do próximo é muito importante para a recuperação de dependentes químicos.
“Salvar vidas é possível sim. Nunca olhe um dependente químico como uma pessoa
doente ou coitada. Olhe o dependente químico como uma pessoa que precisa de ajuda
e nós estamos aqui para ajudar essas pessoas.” Disse Marcelo Augusto.
Muitos dos pacientes pretendem recuperar a alto-estima em Deus para poder voltar
para os filhos “As pessoas que estão nas ruas, embaixo das marquises precisam dar
uma chance para si mesmo. Deus liberta, só basta querer a libertação.” Afirmou Lauro
Francisco.
Dentro de uma condição sensível pela ruína decorrente de uma vida de derrotas para
as drogas muitas pessoas procuram a ajuda de estranhos como um socorro final. Não
espere um pai, um irmão, um primo ou um amigo procurar a ajuda de estranhos sendo
que é em você que ele encontrará a maior saía na luta contra a dependência. Você
pode ser a maior arma contra as drogas.
Obs: Matéria produzida em fevereiro de 2014 e publicada na Revista Nova Oportunidade de circulação em Planaltina-DF, Sobradinho-DF, Paranoá-DF, Formosa-GO e Planaltina de Goiás-GO.
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