Garra nordestina para vencer na capital do país
A história dos nordestinos muitas vezes se assemelha de tal forma que chega a confundir
quem a ouve. Geralmente muito pobres sofrem com a seca, escassez de recursos, falta de
atenção dos governantes e assim acabam por deixar a sua terra para tentar a sorte país
adentro.
O Brasil o longo da história conheceu várias personalidades nordestinas que conseguiram o
sucesso fugindo da seca. O político, estadista e jurista, Rui Barbosa, o jornalista e empresário,
Assis Chateaubriand, o literário, Castro Alves, o religioso, Padre Cícero, o cantor e compositor,
Luiz Gonzaga, e a figura histórica Zumbi dos Palmares são algumas das personalidades mais
marcantes.
Uma das mais importantes figuras da história do Brasil é o mineiro ex-presidente da República,
Juscelino Kubitschek, um dos responsáveis, se não o maior responsável pelo êxodo rural do
nordeste em direção ao centro-oeste brasileiro. O ex-presidente revolucionou a história
nacional com a afirmação de que poderia fazer o país crescer setenta anos em sete e assim
transformou o Distrito Federal em um imenso canteiro de obras.
Com a nova política uma verdadeira marcha nordestina iniciou-se em direção ao centro-oeste.
Muitos com a bagagem repleta com sonhos de um futuro melhor na capital que estava
nascendo, mas sempre sem esquecer suas raízes. Entre esses estava o paraibano Severino
Pereira Barbosa (63) que juntamente com sua esposa, Maria de Fátima Aguiar Barbosa, e o
filho Ailton chegou ao Distrito Federal atraído pela perspectiva de um futuro melhor.
Já na capital federal senhor “Biu” como é conhecido Severino, trabalhou em importantes obras
da construção de Brasília, entre elas estão o Hotel Fenícia, Bradesco na 511, obras em
Taguatinga Centro, no Cruzeiro, Aeroporto de Brasília, Centro de Convenções e no Anexo do
Ministério do Exército. A Senhora Maria de Fátima levava sempre uma cantina vendendo
refeições nas obras em que seu Biu trabalhou. “A cantina acompanhava as obras em que eu
trabalhava e meus filhos foram todos criados nelas.”
Após o período da construção de Brasília senhor Biu se aventurou no comércio de padaria no
P.Sul morando lá por 15 anos. Período um tanto quanto complicado por ter assumido parte de
uma sociedade antes do cunhado, João, no comércio. Nesse período foi preciso muita garra,
que muitas vezes só o paraibano teria para driblar a desonestidade do sócio e após uma série
de divergências conseguiu comprar a outra parte da parceria.
Os anos se passaram o comércio foi modificando e se moldando ao desenvolvimento
tecnológico, mas senhor Biu estacionou no tempo e não acompanhou tal evolução e acabou
não tendo mais condições de competir com a concorrência. Isso ocorreu porque ele como
nordestino nato não conseguia ficar parado muito tempo enjoou da padaria e a vendeu.
Logo após desfazer do comércio comprou uma propriedade na BR020, km 35 próximo à
Formosa (GO) e lá construiu o Parque Cristo redentor. Faz 10 anos que ele, a esposa e os cinco
filhos vivem no Haras, hoje nem todos os filhos, mas sempre que podem estão presentes.
Atualmente o Parque Cristo Redentor sedia por ano uma competição de vaquejada.
“Compramos a terra desse jeito, a única coisa que fizemos foi uma pista de vaquejada, nós
fazemos uma festa por ano, ano passado nós fizemos uma com a premiação de 20 motos e um
carro zero.” A festa que sempre conta com pequenos shows faz parte do circuito nacional do
esporte.
A festa do Parque Cristo Redentor acontece geralmente nos dias 5,6 e 7 de julho, e em 2012
recebeu 600 duplas, ou seja, 1.200 cavalos e vaqueiros. A área para abrigo dos cavaleiros e
realização da festa é grande. “Fica tudo lá encima, não desce ninguém para cá embaixo, parece
uma cidade, lá tem espaço para todos eles cavalos e vaqueiros.”
De acordo com Severino a construção do Parque ajuda conter a saudade da Paraíba. “Antes
eram pelo menos duas viagens anualmente para a Paraíba, mas ainda vou lá para assistir as
vaquejadas.” Concluiu o nordestino que afirmou que sempre que pode visita a amada Paraíba
porque as raízes nunca vão deixar de sustentar o coração nordestino.
Obs: Matéria produzida em outubro de 2013 e publicada na Revista Nova Oportunidade de circulação em Planaltina-DF, Sobradinho-DF, Paranoá-DF, Formosa-GO e Planaltina de Goiás-GO.
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