domingo, 10 de março de 2019

Pré -Sal, o ouro negro brasileiro

Pré-Sal, o ouro negro brasileiro
A descoberta de petróleo no litoral brasileiro apontou para um grande potencial
econômico futuro

A descoberta de petróleo no pré-sal ocorreu no ano de 2006, no campo de Lula (bacia
de Campos). Em 2007 a descoberta de acumulações de petróleo e gás natural em
reservatórios na camada do Pré-Sal apontou para a existência de uma extraordinária
província petrolífera no país. O presidente da república na época, Luiz Inácio Lula da
Silva, observando a importância estratégica da descoberta que tinha um grande
potencial econômico para o futuro do Brasil logo instituiu uma comissão
interministerial para propor e estudar alterações na legislação referente à produção e
exploração de petróleo e gás natural no país e na região.

O Pré-Sal são reservas de hidrocarbonetos em rochas calcárias que se formaram há,
aproximadamente, 100 milhões de anos a partir da decomposição de materiais
orgânicos. O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7
mil metros abaixo do nível do mar em uma camada de aproximadamente 800
quilômetros de extensão. São as mais profundas já encontradas em todo o mundo e
estão localizadas abaixo de camadas de sal na plataforma continental que se estende
ao longo de 800 quilômetros nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo (região
litorânea entre os estados de Santa Catarina e o Espírito Santo) abaixo do leito do mar.
A discussão sobre a existência de uma reserva petrolífera na camada pré-sal brasileira
existia desde 1970, geólogos da Petrobrás acreditavam no fato, mas a falta de
tecnologia suficiente para pesquisas mais avançadas não permitiram o
aprofundamento nos estudos. Segundo a Petrobrás para retirar do Pré-Sal a maior
parte do gás e o petróleo que há suspeita de existir na ultraprofundidade e assim farão
do Brasil o sexto maior detentor de reservas do mundo serão necessários 600 bilhões
de dólares, justificando assim os leilões de concessão já realizados e provavelmente os
futuros.

Para extrair o óleo e o gás da camada pré-sal é necessário ultrapassar uma lâmina
d’água de mais de dois mil metros, uma camada de mil sedimentos e outra de
aproximadamente dois mil metros de sal. Um processo complexo que demanda tempo
e dinheiro.

Em setembro de 2008, a Petrobras começou a explorar petróleo da camada pré-sal em
quantidade reduzida. Esta exploração inicial ocorreu no Campo de Jubarte (Bacia de
Campos), através da plataforma P-34.

De 2008 até abril de 2013 a produção de petróleo e gás natural no pré-sal atingiu 192
milhões de barris. A exploração ocorre atualmente nas bacias de Santos (litoral do
estado de São Paulo) e Campos (litoral do Rio de Janeiro). De acordo com a Petrobrás,
em abril de 2013, a produção diária estava em torno de 310 mil barris. A empresa
petrolífera informou também que, atualmente, são explorados 19 poços no pré-sal,
através de 7 plataformas. Acredita-se que, somente por volta de 2016,  estas reservas
estejam sendo exploradas em larga escala.


Bacia de Santos

A exploração da Bacia de Santos teve início em 1979, com a descoberta de reservas
principalmente de gás natural no Campo de Merluza pela Pecten, uma das empresas
que atuava na área, na época, em regime de contrato de exploração com cláusula de
risco. Outras jazidas em reservatórios da sequencia pós salífera, de pequeno porte,
estão em produção na bacia (Coral, Estrela do Mar, Tubarão, etc.). Nos últimos anos,
porém, a Bacia de Santos passou a ser alvo de investimentos mais significativos em
trabalhos de exploração e produção.

Como resultados destes trabalhos foram descobertos campos de óleo pesado e gás
natural em reservatórios pós-salíferos.
A expectativa da Petrobras é a de que a Bacia de Santos deva proporcionar, somente
em gás natural, uma produção diária de 15 milhões de metros cúbicos/dia somente
no Campo de Mexilhão - o correspondente a 50% da capacidade de importação do
Gasbol, o gasoduto que viabiliza a importação de gás natural boliviano.
A partir de 2006 foram anunciadas várias descobertas em reservatórios Pré-Sal. Além
do anúncio da presença de grandes reservas no Campo de Tupi também foram
anunciadas as descobertas de óleo leve nos Campos de Parati, Carioca, Caramba,
Jupiter, Guará, Bem-te-Vi e Iara.

No Campo de Jubarte em frente ao litoral do Espírito Santo teve início em setembro de
2008 e iniciou a produção do primeiro poço do Pré-Sal em águas profundas. O poço
está interligado à plataforma P-34, que entrou em operação no final de 2006, no
Espírito Santo recebendo e processando petróleo produzido de reservatórios pós-
salíferos.


Produção em Lula, Libra e Franco podem ajudar na redução do preço do gás

As áreas gigantes de Lula, Libra e Franco, na Bacia de Santos, vão gerar em momento
de pico mais de 120 milhões de metros cúbicos de gás por dia, segundo.
Durante seminário promovido pela secretaria de Desenvolvimento do Rio e pela
Fecomércio, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, disse apostar que o preço do gás tende a
cair com o aumento da oferta. Os Estados Unidos, com preço até três vezes menores
têm prejudicado a indústria brasileira. "O gás está chegando, e num volume suficiente
para contribuir muito com a equalização desses preços", disse Magda.


Bacia de Campos

A Bacia de Campos é de acordo com dados da Petrobrás a bacia petrolífera que mais
produz na margem continental brasileira, respondendo por mais de 80% da produção
nacional de petróleo. A exploração da bacia ganhou impulso em 1974, com a
descoberta do Campo de Garoupa. Mas sua produção comercial de petróleo pesado
teve início somente em 1977, no Campo de Enchova.

A bacia estende-se por 100 mil quilômetros quadrados do Estado do Espírito Santo,
mas imediações da cidade de Vitória, até Arraial do Cabo, no litoral norte do Estado do
Rio de Janeiro onde está localizado um dos maiores complexos petrolíferos do mundo
montado pela Petrobrás.

Quando se trata de jazidas em reservatórios do Pré-Sal, a Bacia de Campos perde em
importância para a Bacia de Santos, onde foram encontrados volumes gigantescos de
óleo leve e gás natural.

As antigas descobertas na Bacia de Campos em águas rasas, Campos, Badejo, Pampo,
Trilha, Linguado, produzem há mais de 20 anos e estão em acelerado processo de
exaustão da produção.


Começa a produção no campo de Papa-Terra na Bacia de Campos

A Petrobras começou no dia 12 de novembro a produção no campo de Papa-Terra, na
bacia de Campos, que deveria ter entrado em operação em julho.
Este é um dos projetos mais complexos da empresa, e que a obrigou a adotar soluções
inovadoras como o uso de tubos flexíveis submarinos com aquecimento elétrico. A

tecnologia é uma solução desenvolvida para acelerar o escoamento de petróleo, sendo
indicado para campos com a produção de óleo pesado.
O óleo encontrado em Papa-Terra se situa entre 14 e 17 graus API, considerado pesado em
uma escala internacional que indica que maior é a qualidade do óleo quanto mais próximo
de 50.

No pré-sal da bacia de Santos, por exemplo, a média do grau API é de 28, mais leve que os
campos da bacia de Campos, e, portanto de mais fácil refino. No país, a média da qualidade
de petróleo gira em torno dos 24 graus API.

O campo de Papa-Terra é operado pela estatal, em um consórcio que tem a parceria da
Chevron, na proporção de 62,5% e 37,5%, respectivamente.
Esta é a quinta unidade da companhia que entra em operação em 2013, quando a
Petrobras enfrenta queda de produção e luta para fechar o ano dentro da meta de repetir
o volume do ano passado (1,980 milhão de barris por dia) com margem de erro de 2% para
cima ou para baixo.


Bacia do Espírito Santo

A Bacia do Espírito Santo está localizada ao longo do litoral centro-norte do Estado do
Espírito Santo e sul do Estado da Bahia. Seu limite sul é a feição geológica conhecida
como Alto de Vitória, que a separa da Bacia de Campos, enquanto seu limite norte,
com a Bacia de Cumuruxatiba, é apenas geográfico.

A bacia possui uma área sedimentar total de 123.130 km² até a lâmina d'água de 3.000
m (17.900 km² em terra). A perfuração de 489 poços exploratórios na bacia resultou na
descoberta de 52 acumulações de hidrocarbonetos, sendo 47 na porção terrestre e 5
na plataforma continental.

A Bacia do Espírito Santo possui características bastante peculiares como sua
diversidade, pois produz óleo pesado e leve, gás associado e não-associado e atua com
produção onshore (perfuração realizada em mar) e offshore (perfuração realizada em
terra). O Estado do Espírito Santo se destaca pelo pioneirismo na produção do pré-sal,
pela P-34, no Campo de Jubarte, no Parque das Baleias (Bacia de Campos). O governo
analisa como positivos e promissores os investimentos do Plano de Negócios da
Petrobras (PN) 2009-2013.

A bacia apresenta um volume original provado de 71 milhões de m3 de óleo e 9
bilhões de m3 de gás. Em terra, várias avaliações foram concluídas resultando em
acumulações comerciais, como por exemplo, o campo de Mosquito.
Statoil planeja perfurar dez novos poços na bacia do Espírito Santo

Segundo o presidente da norueguesa Statoil ASA na América do Sul, Thore E.
Kristiansen, a companhia planeja perfurar dez novos poços e levantar 4 mil km² de
dados sísmicos na Bacia do Espírito Santo. A informação é do
Atualmente, a petroleira possui participação em seis blocos offshore na bacia, sendo
operadora de quatro deles. Os ativos foram adquiridos na 11ª rodada de licitações da
ANP, realizada em maio.

A companhia também pretende perfurar um novo poço na segunda fase de
desenvolvimento do campo de Peregrino, na Bacia de Campos.
Segundo Kristiansen, a expectativa é que, apenas na fase I, possam ser recuperados
entre 300 milhões e 600 milhões de barris.


Obs: Matéria produzida em novembro de 2013 e publicada na Revista Nova Oportunidade de circulação em Planaltina-DF, Sobradinho-DF, Paranoá-DF, Formosa-GO e Planaltina de Goiás-GO.

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